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Plástico como meio de transporte no oceano

Detritos naturais como rochas vulcânicas e pedaços de madeira sempre contribuíram com o transporte de organismos marinhos pelo oceano, mas o que antes acontecia apenas de forma esporádica, passou a ocorrer com mais frequência devido às grandes quantidades de lixo no mar.


O lixo no mar


Esses resíduos aumentam a disponibilidade, distribuição e duração de transporte das espécies no oceano, que os utilizam para pegar carona e assim viajam centenas de quilômetros através das correntes superficiais marinhas.


Estima-se que a presença do lixo no mar tenha praticamente dobrado a propagação da fauna em regiões de baixas latitudes e a tenha triplicado em altas latitudes (saiba mais).


Dessa forma, os resíduos antropogênicos no oceano facilitam a dispersão de espécies invasoras e patógenos, ameaçando a saúde e a biodiversidade dos ecossistemas costeiros e de ilhas, com possíveis impactos na pesca e aquicultura.


Em comparação com cascos de navios, que são outro meio de transporte de espécies marinhas, os resíduos plásticos no mar duram mais, se espalham mais e viajam mais lentamente, fatores que favorecem a sobrevivência dos organismos associados.


O plástico fornece um substrato único para o crescimento de muitas espécies, incluindo bactérias, algas e invertebrados. Com características físicas e químicas bastante distintas daquelas da água do mar ao seu redor e dos detritos de origem natural, esse material atua como um novo habitat no oceano aberto, abrigando uma comunidade bastante diversificada.



A plastisfera


O conjunto de organismos que colonizam a superfície do plástico é conhecida como “plastisfera” (saiba mais). Onde já foram identificadas bactérias que podem causar problemas gastrointestinais em humanos (saiba mais), além de doenças em animais (saiba mais).


No caso dos corais por exemplo, estudos apontam que a probabilidade de eles desenvolverem doenças é 20 vezes maior quando estão em contato com o plástico, devido à presença de patógenos nesse material (saiba mais). Microalgas tóxicas também já foram identificadas na plastisfera, indicando maiores chances de florações nocivas em novos ambientes, coo marés vermelhas (saiba mais).


A colonização desses resíduos no oceano também chama atenção para o potencial de dispersão de espécies invasoras. Alguns animais como cracas e briozoários já foram encontrados aderidos ao plástico além dos seus limites de distribuição natural (saiba mais).


O lixo marinho pode alterar significativamente a composição biológica do ecossistema. Ambientes como ilhas oceânicas podem ser especialmente afetados, pois tendem a apresentar uma biodiversidade única, tornando-se ainda mais vulneráveis aos impactos desses resíduos.


Nas praias da remota Ilha de Páscoa, espécies de corais, poliquetas e caranguejo, entre outros invertebrados, foram observados no plástico trazido pelas correntes. Acredita-se que este material tenha sido responsável pela introdução de novas espécies na ilha (saiba mais).


Esse é um aspecto bastante relevante para a conservação da biodiversidade marinha e soma-se aos demais impactos do plástico no oceano. M uitas vezes esse lixo vem das nossas casas e uma das principais soluções também começa por lá. Vamos repensar os nossos hábitos?



Escrito por Júlia Porto



Também conversamos com a professora Mônica Costa sobre plástico no mar no Entrevista à Vista! Confere essa conversa que ficou muito legal! <<clica aqui>>



REFERÊNCIAS

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