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Plástico: um coquetel de contaminantes

Coquetel de contaminantes


O plástico sozinho já é um problemão, mas para piorar a situação ele sempre anda acompanhado. Associado a ele, existe uma série de compostos químicos, muitas vezes tóxicos, que o tornam um verdadeiro coquetel de poluentes.


Esses compostos vão desde aditivos utilizados durante seu processo de fabricação, até os agrotóxicos que escoam pelos rios e derivados de petróleo que vazam de navios, entre tantos outros. Mas vamos por partes.


>>> saiba mais sobre a quantidade de plástico no oceano e os organismos pegam carona no plástico.


OS INGREDIENTES DO PLÁSTICO


Para que o plástico tenha essa enorme variedade de cores, texturas, maleabilidade, resistência, etc, diversos aditivos químicos são adicionados a ele. Como ingredientes para um bolo, cada aditivo confere uma característica específica ao produto. Os plastificantes, por exemplo, tornam o plástico mais macio e flexível, enquanto os retardantes de chama evitam a propagação do fogo e os pigmentos dão a cor desejada ao produto final. Entretanto, muitos desses compostos são prejudiciais à nossa saúde e ao meio ambiente.


Entre os aditivos mais comuns destacam-se os ftalatos e o bisfenol A, o famoso BPA, muito utilizados em embalagens de alimentos e bebidas. Em alguns casos, esses aditivos podem corresponder a até 50% do peso total do produto. Contudo, esses compostos são tóxicos e podem afetar o desenvolvimento e a reprodução de diversas espécies de animais (Oehlmann et al., 2009). Em humanos, eles podem estar associados a doenças neurológicas, reprodutivas e metabólicas, além de certos tipos de câncer (Martínez-Ibarra et al., 2021).


O que acontece com o plástico no oceano?


Para incrementar ainda mais esse coquetel, o plástico descartado no ambiente marinho atua como uma esponja, absorvendo e acumulando contaminantes químicos presentes na água do mar ao seu redor. Infelizmente, não são poucos os compostos que poluem as nossas águas: pesticidas, derivados de petróleo, metais, fármacos, entre outros.


Quanto mais tempo o plástico passa no oceano e quanto mais contaminada for a água, mais chances ele tem de absorver esses compostos. O resultado desse processo não poderia ser diferente: o plástico se torna uma complexa mistura de diversos contaminantes químicos que muitas vezes interagem entre si (Bhagat et al., 2021). Se juntos eles já causam, imagina juntos?!


CONTAMINANTES DO AMBIENTE


Substâncias usadas em agrotóxicos e derivados de petróleo, por exemplo, são comumente encontradas no lixo plástico no oceano e podem causar uma série de efeitos adversos aos organismos marinhos. Muitos desses compostos são persistentes, ou seja, não se degradam facilmente e permanecem por muito tempo no ambiente.


Eles também tendem a se acumular nos organismos e podem ser transferidos ao longo da cadeia alimentar, afetando todo o ecossistema.


Por isso, os impactos do plástico vão muito além dos danos físicos e visíveis que muitas vezes chamam nossa atenção. Estes resíduos também podem causar danos químicos aos organismos que os ingerem, além de facilitar o transporte global de diversos contaminantes no ambiente marinho.


Como evitar plásticos nos oceanos?


Ainda que não pareça, nossos hábitos diários contribuem diretamente com esse cenário. Ter uma alimentação mais natural e orgânica, descascando mais e desembalando menos, pode ser uma ótima maneira de minimizar o nosso impacto no oceano, pois evita tanto as embalagens plásticas cheias de aditivos como o uso de agrotóxicos. No fim das contas tudo isso pode acabar no oceano.


Que tal adotar hábitos mais sustentáveis?



Escrito por Júlia Porto


Também conversamos com a professora Mônica Costa sobre plástico no mar no Entrevista à Vista! Confere essa conversa que ficou sensacional! <<clica aqui>>



REFERÊNCIAS

Bhagat, J., Nishimura, N. and Shimada, Y., 2021. Toxicological interactions of microplastics/nanoplastics and environmental contaminants: Current knowledge and future perspectives. Journal of Hazardous Materials, 405, p.123913.


Colabuono, F., Taniguchi, S. and Montone, R., 2010. Polychlorinated biphenyls and organochlorine pesticides in plastics ingested by seabirds. Marine Pollution Bulletin, 60(4), pp.630-634.


Hermabessiere, L., Dehaut, A., Paul-Pont, I., Lacroix, C., Jezequel, R., Soudant, P. and Duflos, G., 2017. Occurrence and effects of plastic additives on marine environments and organisms: A review. Chemosphere, 182, pp.781-793.


Martínez-Ibarra, A., Martínez-Razo, L., MacDonald-Ramos, K., Morales-Pacheco, M., Vázquez-Martínez, E., López-López, M., Rodríguez Dorantes, M. and Cerbón, M., 2021. Multisystemic alterations in humans induced by bisphenol A and phthalates: Experimental, epidemiological and clinical studies reveal the need to change health policies. Environmental Pollution, 271, p.116380.


Oehlmann, J., Schulte-Oehlmann, U., Kloas, W., Jagnytsch, O., Lutz, I., Kusk, K., Wollenberger, L., Santos, E., Paull, G., Van Look, K. and Tyler, C., 2009. A critical analysis of the biological impacts of plasticizers on wildlife. Philosophical Transactions of the Royal Society B: Biological Sciences, 364(1526), pp.2047-2062.


Rochman, C., 2015. The Complex Mixture, Fate and Toxicity of Chemicals Associated with Plastic Debris in the Marine Environment. In: M. Bergmann, L. Gutow and M. Klages, ed., Marine Anthropogenic Litter. [online] Springer Open, pp.117-140. Disponível em: <https://link.springer.com/book/10.1007/978-3-319-16510-3> [Acessado 29 de Janeiro de 2021].


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