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Saveiros da Bahia

Atualizado: 24 de fev.

Se os seus olhos derem a sorte de cruzar com um Saveiro navegando deslumbrante sobre as águas da Baía de Todos os Santos, com suas enormes velas de pano, e casco colorido, sinta-se grato, você está diante de história, poesia e música.


Essas embarcações que hoje se apresentam como ponto poético sobre as águas da Baía de Todos os Santos, carinhosamente chamada de BTS, já foram o principal meio de transporte de mercadorias e pessoas sobre águas brasileiras, ligando Salvador ao Recôncavo Baiano, a maior e mais importante rota de mercadorias do Brasil colonial.


Também tiveram papel importante na luta pela independência da Bahia (2 de julho de 1823), conduzindo tropas do Recôncavo até Salvador sob o comando do marinheiro português João de Oliveira das Botas – que daria nome, posteriormente, à famosa regata João da Botas que ocorre anualmente nas primeiras semanas de janeiro em Salvador.


Os Saveiros de vela de içar ou simples saveiros estão profundamente entrelaçados à história da Bahia. Até hoje, os 20 exemplares que restaram dos mais de 1.000 que existiram, transportam pessoas e mercadorias pela BTS.


Essas embarcações tradicionais, genuinamente baianas, foram desenvolvidas usando um misto de influências de tecnologias náuticas da época (portuguesa, holandesa e até indiana), por grandes mestres carpinteiros navais. Mas, assim como os saveiros, o domínio da arte de criá-los vem se perdendo e correm o risco de serem enterrados junto com seus mestres.


Valorizar nossa cultura, valorizar nossa história, valorizar nosso mar.


Texto @caetano.mar

Foto @gustavogoesfotos

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